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Cibersegurança · ·3 min de leitura

O 'golpe do Pix de R$ 0,01' não existe do jeito que dizem — mas o perigo vem logo depois

Circula o aviso de que receber um Pix de 1 centavo invade sua conta. Não invade — o Banco Central confirma. Mas ignorar de vez seria um erro: o centavo é a isca de um golpe que vem na sequência, pela conversa, não pela transferência.

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O 'golpe do Pix de R$ 0,01' não existe do jeito que dizem — mas o perigo vem logo depois

De tempos em tempos volta a circular, em grupos de WhatsApp e redes sociais, o mesmo aviso alarmante: “não aceite Pix de R$ 0,01, é golpe, eles invadem sua conta!”. Vale separar o que é mito do que é risco real — porque tem os dois, misturados, e a confusão atrapalha a defesa.

O mito: a transferência não invade nada

Comecemos pela parte falsa. Receber um Pix — de um centavo ou de mil reais — não dá a quem enviou nenhum acesso à sua conta. O Banco Central e a Febraban são explícitos nisso. Uma transferência recebida é uma via de mão única: entra dinheiro, e pronto. Não há, na mecânica do Pix, nenhuma forma de o remetente “entrar” no seu aplicativo ou nos seus dados por ter mandado um valor.

Então pode relaxar quanto à transferência em si. O problema não é o centavo que cai na conta.

Logotipo do Pix, arranjo de pagamentos do Banco Central do Brasil

O risco real: o que vem depois do centavo

O centavo não é o golpe — é a isca. Ele serve a três propósitos para o criminoso, e o perigo mora no que vem na sequência:

  1. Confirmar que você existe. O Pix ter sido concluído prova ao golpista que aquela chave (seu telefone, seu CPF) está ativa e é de uma pessoa real. Você virou um alvo “validado”.
  2. Criar uma prova para a história. Agora existe uma transação de verdade no seu extrato — que o criminoso vai usar para parecer legítimo.
  3. Abrir a conversa. Aí vem o golpe de fato: alguém liga ou manda mensagem dizendo que transferiu por engano e pede a devolução. A vítima, vendo o centavo real no extrato, acredita — e nesse momento é induzida a devolver o valor para outra chave (a do golpista), ou a clicar num link, ou a informar dados. É engenharia social pura, apoiada num centavo verdadeiro.

Note que em nenhum momento a máquina foi invadida. O golpe acontece na conversa, explorando a boa-fé — e é por isso que “bloquear o Pix de um centavo” não protege de nada: o risco não está na transferência, está no telefonema que vem atrás.

Como se proteger de verdade

Como o ataque é de convencimento, a defesa também é de comportamento:

  • Recebeu um valor “por engano”? Não devolva por fora. Se a devolução for legítima, use apenas o botão nativo de devolução no app do banco — ele estorna para a origem real, não para a chave que o desconhecido indicar.
  • Desconfie da pressa e da história pronta. “Transferi sem querer, me devolve na chave X” é o roteiro. Banco de verdade não conduz devolução por telefone com chave alternativa.
  • Cheque seu CPF de vez em quando no sistema Registrato, do Banco Central, para ver o que está vinculado ao seu nome.
  • Caiu no golpe? Registre boletim de ocorrência e avise o banco imediatamente.

A moral aqui é dupla e vale para além do Pix: nem todo aviso assustador que viraliza está certo (a transferência não invade conta), e nem por isso o perigo é inventado (o golpe da devolução é real). Saber distinguir os dois é o que evita tanto o pânico quanto a vítima.


Fontes

  • Banco Central do Brasil e Febraban — esclarecimentos sobre segurança do Pix (via TecMundo, 01/09/2026): tecmundo.com.br
  • Banco Central — sistema Registrato (consulta de relacionamentos): www.bcb.gov.br/cidadaniafinanceira/registrato
  • Foto de capa: bilheteria da Trensurb com pagamento por Pix — Trensurb, CC BY 2.0, via Wikimedia Commons
  • Segunda imagem: logotipo do Pix — Banco Central do Brasil, domínio público, via Wikimedia Commons
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