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Cibersegurança · ·3 min de leitura

O grupo que invade empresas brasileiras e faz centenas de Pix fraudulentos direto da fonte

Um grupo criminoso com operadores no Brasil parou de mirar o consumidor e passou a invadir direto o sistema financeiro das empresas — bancos, fintechs, processadores de pagamento — para disparar centenas de Pix fraudulentos de dentro. O Google detalhou como eles entram, e a receita começa por um telefonema.

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O grupo que invade empresas brasileiras e faz centenas de Pix fraudulentos direto da fonte

A maioria dos golpes de Pix que a gente conhece ataca o elo mais fraco: o cliente, com a mensagem falsa, o link, o falso boleto. Um grupo criminoso rastreado como Breeze Comet decidiu subir na cadeia e ir direto à fonte — invadir a infraestrutura financeira das próprias empresas e disparar as transferências de dentro, com credenciais legítimas. O Google Threat Intelligence Group (GTIG) e a Mandiant detalharam a operação em setembro.

Quem é o Breeze Comet

É um grupo financeiramente motivado, com operadores baseados no Brasil, ativo desde pelo menos 2024 (também chamado de Plump Spider e UNC5669). O alvo é o dinheiro no atacado: bancos, fintechs, processadoras de pagamento, exchanges de criptomoedas, varejo e e-commerce. Em vez de fraudar uma vítima por vez, eles buscam o acesso que permite mover centenas de transações de uma só vez.

Como eles entram

O que chama a atenção no relatório é que a porta de entrada é quase sempre humana, não técnica:

  • Telefonema fingindo ser suporte de TI (vishing). Ligam para funcionários e convencem a instalar uma ferramenta de acesso remoto, como o AnyDesk. Em alguns casos, tentam cooptar alguém de dentro.
  • Teste de senhas em massa (password spraying) contra os sistemas de login da empresa.
  • Dispositivos físicos plantados na rede. Em lojas do varejo, chegaram a conectar aparelhos maliciosos direto na tomada de rede para criar uma entrada.
  • Sites de prefeituras invadidos como esconderijo. O grupo hospedava seus programas espiões em pequenos sites .gov.br comprometidos, com nomes como ComprovantePDF.exe, para escapar dos filtros que confiam em domínios de governo.

Feira de rua no Brasil com aviso de que aceita Pix, meio de pagamento visado pelas fraudes do grupo

O que acontece depois

Uma vez dentro, o Breeze Comet busca as credenciais e os acessos que dão entrada aos sistemas de pagamento — inclusive à rede que liga as instituições financeiras. Com isso, conseguem emitir ordens de transferência em nome da organização invadida, com fundos dela. O relatório descreve o padrão: acesso obtido em até 24 horas, e duas ondas de centenas de transações fraudulentas nas 24 a 48 horas seguintes, com pelo menos um roubo avaliado em dezenas de milhares de dólares. Depois, apagam os registros para esconder o rastro.

O grupo também usa inteligência artificial para acelerar o desenvolvimento de seus programas e scripts — mais um exemplo de como a IA está encurtando o tempo de preparação dos ataques.

O que a sua empresa tira disso

Mesmo quem não é banco aprende a lição, porque a entrada é a mesma de sempre:

  • O telefonema é a porta. Vale a mesma regra de ouro: suporte de verdade não liga do nada pedindo acesso remoto. Combine isso com a equipe.
  • Segundo fator resistente a phishing nos acessos críticos encarece o password spraying a ponto de inviabilizá-lo.
  • Olho na rede física. Em lojas e filiais, uma tomada de rede acessível ao público é um convite. Portas de switch não usadas deveriam ficar desligadas.
  • Visibilidade sobre o que roda nas máquinas. Ferramentas de acesso remoto que aparecem sem passar pelo padrão da TI são um dos primeiros sinais de que algo está errado — e dá para vê-las antes de a transferência sair.

O recado do caso Breeze Comet é que o crime financeiro brasileiro amadureceu: saiu do golpe de varejo e passou a mirar a artéria por onde o dinheiro corre. E, como quase sempre, a artéria foi aberta não por um código genial, mas por uma ligação bem-feita.


Fontes

  • Google Threat Intelligence Group e Mandiant — Financially motivated threat actor Breeze Comet targets Brazil (01/09/2026): cloud.google.com
  • Foto de capa: escritório do Google em Toronto — Raysonho, CC0, via Wikimedia Commons
  • Segunda imagem: feira em Itajubá (MG) com aviso ‘Aceita Pix’ — Mateus S. Figueiredo, CC BY-SA 4.0, via Wikimedia Commons
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