Duas falhas nota 9.8 na VPN da Check Point: quem trabalha remoto entra por essa porta
A Check Point corrigiu duas falhas críticas que permitem executar código nos seus equipamentos sem nenhuma senha, aproveitando a checagem de certificado feita na hora de estabelecer a VPN. É a porta por onde o time remoto entra todo dia. Ainda não há ataques conhecidos — a janela para corrigir é agora.

A VPN é a porta pela qual a equipe remota entra na rede da empresa. Ela existe justamente para ser o ponto forte da fronteira — e é por isso que uma falha nela vale tanto para quem ataca. A Check Point, uma das maiores fabricantes de firewall do mundo, acaba de publicar correções para duas falhas críticas nos seus equipamentos.
As falhas
Ambas receberam nota 9.8 de 10 e permitem execução remota de código sem autenticação — ou seja, o invasor não precisa de usuário nem senha:
- CVE-2026-85102: o equipamento não validava corretamente a confiança do certificado apresentado durante a negociação da VPN. Um atacante consegue levar essa negociação adiante o suficiente para executar código no próprio firewall. Afeta tanto a VPN de acesso remoto quanto a que liga duas unidades da empresa.
- CVE-2026-85103: um erro de manipulação de memória ao interpretar a estrutura do certificado. Enviando um certificado malicioso, o atacante provoca o estouro e pode executar código.
Os produtos afetados são o Security Gateway, o Security Management Server e o Spark Firewall gerenciado localmente, nas linhas R81.20, R82 e R82.10 com correções anteriores às novas. A linha R82.20 não é afetada. As versões R80.40 e R81, já fora de suporte, também estão vulneráveis — e não recebem correção.

A boa notícia, e o prazo
A Check Point diz que as falhas foram encontradas pela própria equipe interna de pesquisa e que não há exploração conhecida nem código de ataque público até agora. Isso é uma vantagem rara: normalmente a notícia chega depois de as invasões começarem.
A vantagem, porém, tem prazo. Falhas de nota 9.8 em equipamentos de borda costumam ser estudadas e transformadas em ataque em poucas semanas — às vezes dias — depois da divulgação, justamente porque a correção publicada mostra aos criminosos onde estava o defeito.
O que fazer
- Aplique a correção. A Check Point disponibilizou o Live Patch, que aplica o ajuste sem reiniciar o equipamento, e os pacotes de correção acumulada (Jumbo Hotfix) para cada versão. As versões corrigidas são R82.10 Take 44, R82 Take 126, R81.20 Take 166 e posteriores.
- Se estiver em R80.40 ou R81, planeje a migração. Sem suporte, não há correção — e o equipamento fica permanentemente exposto.
- Enquanto não corrige, a mitigação parcial disponível vale apenas para a VPN entre unidades: restringir as regras implícitas e limitar o tráfego nas portas UDP 500 e 4500. Para a VPN de acesso remoto não existe contorno; só a correção resolve.
O padrão que se repete
Esta é a segunda semana seguida em que o alvo é um equipamento de borda: na semana passada foi o firewall FortiGate, agora a VPN da Check Point. Não é coincidência. Esses aparelhos ficam expostos à internet o tempo todo, concentram poder sobre a rede inteira e costumam ser atualizados com muito menos frequência do que os computadores dos funcionários.
Se a sua empresa ainda não tem uma rotina formal de atualização para firewall, VPN e roteador — com responsável, prazo e registro —, essa é a lacuna que os últimos meses estão apontando com insistência.
Fontes
- Check Point Software Technologies — avisos de segurança e Live Patch: support.checkpoint.com
- NVD — CVE-2026-85102 e CVE-2026-85103: nvd.nist.gov
- Foto de capa: sede da Check Point Software Technologies, em Tel Aviv — Avi1111 dr. avishai teicher, CC BY-SA 4.0, via Wikimedia Commons
- Segunda imagem: logotipo da Check Point — Check Point Software Technologies, domínio público, via Wikimedia Commons
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