VKSECURITY BLOG
Cibersegurança · ·4 min de leitura

935 ataques acima de 1 terabit: o semestre em que os DDoS gigantes viraram rotina

A Cloudflare bloqueou 935 ataques DDoS acima de 1 Tbps no primeiro semestre — cinco por dia. E o dado que mais importa para a sua empresa não é o recorde: é que 96% dos ataques são pequenos o bastante para mirar qualquer um.

Compartilhar
935 ataques acima de 1 terabit: o semestre em que os DDoS gigantes viraram rotina

A Cloudflare — a empresa por trás de boa parte da internet que você usa todo dia — divulgou os números de ataques do primeiro semestre de 2026, e um deles resume a mudança de era: foram 935 ataques DDoS acima de 1 terabit por segundo entre janeiro e junho. Ataque desse tamanho, que há poucos anos virava manchete mundial e tinha nome próprio, agora acontece em média cinco vezes por dia.

O que é um ataque desses, em miúdos

DDoS (ataque distribuído de negação de serviço) é a versão digital de lotar a porta de uma loja com uma multidão falsa: milhares ou milhões de máquinas infectadas despejam tráfego sobre um site ou sistema ao mesmo tempo, até que ele não consiga mais atender quem é cliente de verdade. Ninguém “invade” nada — o serviço simplesmente para de responder.

E 1 terabit por segundo é um número difícil de visualizar: dá para transmitir mais de 200 mil filmes em streaming simultaneamente. É tráfego suficiente para derrubar a infraestrutura da maioria das empresas do planeta em segundos — só sobrevive quem está atrás de uma rede gigante que absorve o impacto.

935 ataques acima de 1 terabit: o semestre em que os DDoS gigantes viraram rotina

Os números do semestre

  • 935 ataques acima de 1 Tbps no primeiro semestre — sendo 805 só no segundo trimestre, um salto de 519% sobre o primeiro. A curva não está subindo: está decolando.
  • 23,2 milhões de ataques DDoS de rede mitigados no total — a esmagadora maioria bem menor, mas constante.
  • 29,64 trilhões de requisições HTTP maliciosas bloqueadas.
  • 90,6% dos ataques duraram menos de dez minutos. Esse dado engana quem lê rápido: parece bom, mas é o contrário — o ataque curto e brutal termina antes de qualquer equipe humana conseguir reagir. Quando o analista abre o painel, já acabou (e o estrago, se houve, já foi feito).
  • 96,62% ficaram abaixo de 500 Mbps — e aqui mora o recado para empresas médias: não é preciso um ataque recordista para derrubar um sistema desprotegido. Meio gigabit sustentado tira do ar a maioria dos servidores comuns.
  • O vetor favorito continua sendo o DNS (34,3% dos ataques de rede no semestre, chegando a 40% no segundo trimestre) — atacar a “lista telefônica” da internet derruba o serviço sem tocar no servidor. E os ataques via CLDAP, um protocolo antigo que amplifica tráfego, cresceram 580% de um trimestre para o outro.

Por que isso importa para quem não é a Cloudflare

Porque a leitura errada desses números é “isso é problema de gigante”. A leitura certa é a oposta:

1. O custo de atacar despencou. Botnets de aluguel, dispositivos IoT mal configurados e serviços de “DDoS por encomenda” transformaram um ataque devastador em algo que se contrata por poucos dólares. Se ficou barato atacar gigantes, atacar o site da sua empresa custa troco.

2. O ataque médio é do seu tamanho. Os 96% abaixo de 500 Mbps não miram a Cloudflare — miram e-commerces, sistemas de agendamento, portais de clientes, APIs de integração. Serviço fora do ar por uma tarde é venda perdida, SLA estourado e cliente ligando.

3. Dez minutos derrubam uma operação. Se o seu sistema de ponto, o portal do cliente ou a API que integra com o parceiro ficam 10 minutos fora, o prejuízo não é proporcional aos 10 minutos — filas, retrabalho e perda de confiança duram o dia inteiro.

O que uma empresa comum deve fazer

  • Não exponha servidor “pelado” na internet. Site e API institucionais devem ficar atrás de um serviço com proteção DDoS (Cloudflare, e concorrentes como Akamai e AWS Shield têm planos acessíveis, alguns gratuitos no nível básico). É a diferença entre ter a multidão contida no portão ou dentro da loja.
  • Proteja o DNS. Se um terço dos ataques mira a “lista telefônica”, usar um DNS resiliente e com redundância deixa de ser detalhe técnico.
  • Tenha um plano de indisponibilidade. Quem decide o quê quando o sistema cai? Quem comunica o cliente? Empresas com playbook voltam em minutos; sem ele, em horas.
  • Teste antes que testem por você. Um diagnóstico de exposição — que portas, serviços e endereços da empresa estão visíveis na internet — mostra exatamente o que um atacante veria. É um dos itens que a VKSECURITY avalia em consultorias e pentests: na maioria das vezes, o cliente descobre serviços expostos que nem lembrava que existiam.

A era em que ataque gigante era evento raro acabou — virou estatística de rotina. A pergunta deixou de ser “e se acontecer?” e virou “quando acontecer, a gente percebe em quanto tempo — e volta em quanto tempo?”.


Fontes

Gostou? Compartilhe
LinkedIn

Acompanhe a VKSECURITY

Novidades de segurança, LGPD e produto — direto no seu feed.