Uma videochamada no WhatsApp abre as suas fotos com o celular bloqueado — e a correção ainda está chegando
Quem segura um Android bloqueado pode atender uma videochamada do WhatsApp, tocar em 'Efeitos' e, em três toques, abrir a galeria inteira de fotos — sem senha, sem digital. A Meta diz que a correção está sendo distribuída. Até chegar, há um ajuste de 20 segundos que fecha a porta.

A tela de bloqueio é a última linha de defesa do celular: se alguém pega o aparelho da mesa, do bolso ou do balcão, é a senha ou a digital que impede que veja o que está lá dentro. Uma falha divulgada nesta semana mostra que, no WhatsApp para Android, essa linha podia ser atravessada com uma simples videochamada.
Como a falha funciona
O pesquisador de segurança Jose Rodriguez — conhecido por já ter encontrado vários “furos” de tela de bloqueio em Android e iPhone — publicou o passo a passo. É desconfortavelmente simples:
- Alguém liga por vídeo, pelo WhatsApp, para o celular bloqueado.
- Quem está com o aparelho na mão atende sem desbloquear — o Android permite.
- Na chamada, toca no botão Efeitos, vai à aba Fundos e escolhe “Criar com Meta AI”.
- Aparece a opção de editar uma foto existente — e a galeria inteira do telefone se abre, sem pedir PIN, senha ou biometria.
Repare: não é um ataque remoto. Quem quer ver as fotos precisa estar com o aparelho na mão e precisa que alguém ligue por vídeo — o que, na prática, significa duas pessoas trabalhando juntas ou uma pessoa com dois celulares. Ainda assim, é exatamente o cenário que a tela de bloqueio existe para impedir: o celular esquecido na mesa, deixado com o técnico, tomado num assalto.
Quem está exposto
A brecha aparece em aparelhos de fabricantes que não impõem a restrição da tela de bloqueio a esse fluxo do aplicativo — testes públicos confirmaram o problema em modelos da Oppo, da Vivo e em um Pixel do Google. Celulares Samsung não se mostraram vulneráveis, e o iPhone não é afetado. Como o Android varia de marca para marca, o mais seguro é assumir que o seu aparelho pode estar na lista.

O que a Meta disse
O WhatsApp reconheceu o problema, afirmou que se trata de um caso raro que exige acesso físico ao aparelho, e informou que uma correção está sendo distribuída. Como as atualizações chegam em ondas, vale forçar a atualização do WhatsApp pela loja de aplicativos e conferir se há versão nova.
O ajuste de 20 segundos que resolve agora
Enquanto a correção não chega, há uma solução que fecha a porta por completo — e que, aliás, é uma boa prática permanente:
- Abra Configurações do Android → Aplicativos → WhatsApp → Permissões.
- Em Fotos e vídeos, troque “Permitir sempre” por “Permitir acesso limitado” (ou “Selecionar fotos”).
Com isso, o WhatsApp só enxerga as fotos que você escolher explicitamente na hora de enviar — e o atalho da videochamada não tem mais o que abrir.
Por que isso é assunto de empresa
O celular do funcionário guarda, cada vez mais, coisa da empresa: foto do quadro branco da reunião, print do sistema, comprovante, contrato fotografado para enviar rápido. Num aparelho corporativo ou num esquema de “traga seu próprio dispositivo”, uma galeria aberta é um vazamento em potencial — e a falha mostra que a segurança do celular depende de cada aplicativo respeitar a tela de bloqueio, não só do sistema.
A recomendação para o RH e a TI é curta: avisar a equipe sobre a atualização do WhatsApp, orientar o acesso limitado a fotos como padrão nos celulares que tocam dados da empresa, e lembrar que o bloqueio de tela protege o que está dentro do aparelho apenas até o ponto em que algum app decide não obedecê-lo.
Fontes
- Android Authority — This WhatsApp privacy flaw exposes your photos with a video call (03/09/2026): androidauthority.com
- WhatsApp — Central de Ajuda, permissões do aplicativo no Android: faq.whatsapp.com
- Foto de capa: ícone do WhatsApp na tela de um smartphone — Yuri Samoilov, CC BY 2.0, via Wikimedia Commons
- Segunda imagem: conversa no WhatsApp em um celular Android — Helar Lukats, CC BY-SA 4.0, via Wikimedia Commons
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