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Cibersegurança · ·3 min de leitura

O malware que vê você digitar a senha do banco — e rouba dados até com o celular offline

O Manic, novo malware para Android, não mostra tela falsa: ele coloca uma camada invisível sobre o teclado do app verdadeiro do banco e grava onde você toca. E tem um truque inédito — se o celular estiver sem internet, ele envia os dados roubados usando outros celulares infectados por perto como ponte. O que isso significa para quem usa o celular pessoal no trabalho.

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O malware que vê você digitar a senha do banco — e rouba dados até com o celular offline

Todo golpe bancário de celular até hoje seguia um roteiro conhecido: o malware desenha uma tela falsa por cima do app do banco e a vítima digita a senha no lugar errado. O Manic, malware para Android documentado nesta semana pela empresa holandesa ThreatFabric, joga esse roteiro fora — e o substituto é mais difícil de perceber.

Como ele rouba o PIN — sem tela falsa

Com as permissões de Acessibilidade do Android nas mãos (aquelas que apps de “otimização” vivem pedindo), o Manic posiciona uma camada 100% transparente exatamente sobre o teclado numérico do app verdadeiro do banco. Você digita o PIN no app real; a transação acontece normalmente; nada parece errado. Mas a camada invisível registrou cada toque — e repassou os toques ao app legítimo nas mesmas coordenadas, para que nem o banco perceba diferença.

É a evolução que muda o jogo: não existe tela falsa para desconfiar, não existe travamento estranho. O app é o verdadeiro — só o teclado tem uma testemunha em cima.

O truque inédito: roubo sem internet

A segunda novidade do Manic é a que chamou a atenção dos pesquisadores. Se o celular infectado está sem conexão com o servidor dos criminosos, ele não desiste: guarda os dados roubados e os transmite para outros celulares infectados por perto, via Wi-Fi Direct ou Bluetooth — que por sua vez repassam adiante, em correntes de até 4 saltos, até alguém com internet entregar o pacote. Uma rede de contrabando entre celulares, funcionando no bolso das vítimas.

O malware que vê você digitar a senha do banco — e rouba dados até com o celular offline

O tamanho do alvo

O Manic monitora 169 aplicativos: bancos, serviços de pagamento, corretoras de criptomoedas, mensageiros e até apps governamentais de identidade digital. O foco atual são bancos da Ucrânia, Rússia e Europa, além de plataformas cripto globais — o Brasil não está na lista, por enquanto. Mas a história desse mercado é conhecida: técnica que funciona na Europa aparece em versão tropicalizada por aqui em meses. A infraestrutura do grupo existe desde fevereiro de 2026 e o malware evolui a cada versão, já com truques para dificultar análise.

Ele também faz o “combo espião” completo: controle remoto da tela via WebRTC (escondendo a atividade atrás de uma tela preta), rastreamento de localização e leitura de notificações.

O que fazer — e o recado para empresas

  • Instale apps só pela Play Store. O Manic chega por APKs avulsos e lojas alternativas. “Baixa esse app por fora que libera X” é o começo do golpe.
  • Desconfie de pedidos de Acessibilidade. Essa permissão dá ao app o poder de ver e tocar a tela inteira. App de lanterna, limpeza ou “otimização” pedindo Acessibilidade é bandeira vermelha.
  • Mantenha o Android atualizado e o Google Play Protect ativo.
  • Empresas com BYOD, atenção: o mesmo celular pessoal que roda o app do banco roda o e-mail corporativo e o WhatsApp de trabalho. Um espião que vê a tela e lê notificações não rouba só o PIN do dono — vaza a empresa junto. Política de dispositivos, apps corporativos separados e monitoramento do parque são o mínimo.

O Manic é mais um lembrete de uma tendência: o malware de celular deixou de ser “tela falsa grosseira” e virou engenharia fina, invisível ao usuário. A defesa que sobra é a de sempre — controlar o que se instala e o que cada app pode fazer — só que agora sem margem para desleixo.


Fontes

  • ThreatFabric — Manic: Blend between Banking Malware & Spyware (pesquisa original, 20/08/2026): threatfabric.com
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