Atualize o Chrome: duas falhas críticas deixam um site malicioso fugir da jaula do navegador
O Google corrigiu 15 falhas no Chrome — e duas são do tipo mais raro e perigoso: permitem que uma simples página web maliciosa escape do isolamento do navegador e execute código no computador. Entenda o que é a 'sandbox', por que visitar um site basta, e como conferir em 10 segundos se o seu Chrome já está seguro.

O navegador é o programa mais exposto do seu computador: ele passa o dia abrindo conteúdo criado por estranhos. É por isso que o Chrome roda cada site dentro de uma sandbox — literalmente uma “caixa de areia”, uma jaula digital. O site pode fazer o que quiser lá dentro; para o resto do computador, ele não estica o braço.
A atualização que o Google liberou nesta semana corrige 15 falhas de segurança — e duas delas atacam exatamente essa jaula.
As duas críticas
As falhas CVE-2026-76034 e CVE-2026-76036 vivem nos motores gráficos do Chrome — o WebGL e o WebGPU (Dawn), os componentes que permitem a sites exibirem gráficos 3D, jogos e visualizações sofisticadas usando a placa de vídeo. Ambas são estouros de memória (buffer overflow): o site envia dados além do espaço reservado, e o excesso escorre para onde não devia.
O resultado, nos dois casos, é a combinação que faz um engenheiro de segurança largar o café: uma página HTML especialmente construída consegue executar código fora da sandbox. Traduzindo: visitar o site errado basta. Sem baixar arquivo, sem clicar em “aceitar”, sem instalar nada — o ataque cabe dentro de um link.
É o tipo de falha que classifica como “crítica” por mérito próprio: das 15 corrigidas nesta rodada, só essas duas receberam o selo. A boa notícia: ambas foram encontradas pelas equipes do próprio Google, e até a publicação não há registro de exploração em ataques reais — a correção chegou antes dos criminosos.

Como conferir se você já está protegido — em 10 segundos
A versão segura é a 151.0.7922.169 (ou superior), para Windows, macOS, Linux e Android. O Chrome se atualiza sozinho, mas só aplica a atualização quando é reiniciado — e tem gente que não fecha o navegador há semanas.
- Digite
chrome://settings/helpna barra de endereço (ou Menu ⋮ → Ajuda → Sobre o Google Chrome); - A página confere e baixa a atualização na hora;
- Se aparecer o botão “Reiniciar”, clique nele. Suas abas voltam sozinhas.
No Android, a atualização vem pela Play Store. E se o seu navegador é Edge, Brave, Opera ou outro baseado em Chromium, a mesma correção chega pela atualização dele — vale a mesma conferida.
O estouro de memória num motor gráfico é um clássico: é a mesma família de falha que derrubava navegador em 2010 — só que hoje, com o navegador virando o sistema operacional de fato da vida digital, a jaula que o cerca virou a muralha principal. Quando o fabricante conserta a muralha antes do primeiro ataque, o seu único trabalho é não deixar o conserto esperando atrás de um botão de reiniciar.
Fontes
- Google Chrome Releases — Stable Channel Update for Desktop (anúncio oficial da versão 151.0.7922.169/.170): chromereleases.googleblog.com
- Malwarebytes — Update Chrome now: Two critical vulnerabilities fixed: malwarebytes.com
VKSECURITY


