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IA · ·4 min de leitura

Ladrões de sessão: o malware que rouba o seu acesso ao Claude e usa a sua IA para fabricar golpes

A Anthropic avisou clientes que criminosos estão copiando, do computador da vítima, o 'crachá' que mantém o Claude logado — e usando a conta alheia para gastar créditos e produzir phishing. Nem senha nem código de dois fatores são pedidos. O caso explica um risco que vale para qualquer serviço online.

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Ladrões de sessão: o malware que rouba o seu acesso ao Claude e usa a sua IA para fabricar golpes

Quando você faz login em um serviço e marca “continuar conectado”, o site guarda no seu navegador um pequeno arquivo — um cookie de sessão — que funciona como um crachá: nas próximas visitas, ele prova que você é você, sem pedir senha de novo. É cômodo. E é exatamente esse crachá que um tipo de malware muito comum, o infostealer, aprendeu a fotocopiar. O alvo da vez foi o Claude, assistente de IA da Anthropic.

O que a Anthropic detectou

No fim de agosto, a empresa passou a enviar avisos a usuários com um texto direto: “tomamos conhecimento de um agente malicioso que está usando malware infostealer comum para roubar sessões de login do Claude dos computadores das pessoas, e usando essas sessões para acessar as contas e consumir o uso delas”.

O sinal que denunciou o esquema foi contábil: contas em que o limite de uso era preenchido e esvaziado enquanto o dono estava inativo. Alguém estava gastando os créditos — e, em planos pagos, gerando cobranças.

A reação foi enérgica: a Anthropic encerrou as sessões envolvidas, removeu os cartões salvos das contas afetadas e informou que fará reembolso das cobranças identificadas como não autorizadas. Relatos técnicos apontam famílias de infostealer bem conhecidas por trás dos casos — nomes como Vidar, Lumma, StealC e RedLine no Windows, e o Atomic Stealer em alguns Macs.

Logotipo da Anthropic, empresa responsável pelo Claude, que detectou e notificou os usuários afetados

Por que a senha e o código de dois fatores não ajudaram

Porque o criminoso não fez login. Ele copiou uma sessão que já estava aberta. O infostealer entra na máquina — normalmente disfarçado de programa pirata, “ativador”, extensão ou anexo — e vasculha o navegador: senhas salvas, formulários, carteiras de criptomoedas e, cada vez mais, cookies de sessão de serviços valiosos. Com o cookie em mãos, o atacante cola aquele “crachá” no próprio navegador e o serviço o recebe como se fosse o dono legítimo — sem pedir senha, sem pedir o código do celular.

É a diferença entre arrombar a porta e entrar com a chave que estava em cima da mesa.

O que fazem com uma conta de IA roubada

Créditos de IA viraram mercadoria. A pesquisadora da Malwarebytes que analisou o caso resume: a capacidade roubada pode ser usada para “escrever e aprimorar conteúdo de phishing e golpes, construir infraestrutura de campanhas maliciosas, desenvolver, modificar ou ofuscar malware”. Ou seja: a IA que você paga passa a redigir o e-mail falso que vai chegar na sua empresa, sem que o criminoso gaste um centavo nem deixe rastro no próprio nome.

O roteiro de recuperação — e o de prevenção

A Anthropic recomendou aos afetados uma sequência que serve para qualquer serviço:

  1. Limpe a máquina antes de voltar a logar. Trocar a senha num computador ainda infectado é entregar a senha nova.
  2. Proteja o e-mail primeiro — senha, dois fatores, encerrar sessões em outros aparelhos. O e-mail é a chave que recupera todas as outras.
  3. Troque as senhas que estavam salvas no navegador. Se o infostealer levou a sessão, levou o cofre de senhas junto.
  4. Confira o extrato do cartão e só cadastre um novo meio de pagamento depois de tudo isso.

Para quem gerencia equipes, a prevenção é mais simples do que parece: software só de fonte oficial, nada de “versão gratuita” de programa pago, extensões de navegador sob controle, e o hábito de sair das contas sensíveis em vez de deixá-las eternamente conectadas — um crachá que não existe não pode ser copiado.

O ponto que fica

O Claude foi o alvo desta vez porque conta de IA tem valor de revenda. Mas o mecanismo — roubar a sessão em vez da senha — funciona igual contra o e-mail corporativo, o sistema financeiro, o painel da nuvem. A pergunta a levar para casa não é “minha senha é forte?”. É “em quantos lugares eu estou logado agora, e em que máquina?”.


Fontes

  • Malwarebytes — Infostealers are hijacking Claude accounts at users’ expense (01/09/2026): malwarebytes.com
  • BleepingComputer — Anthropic warns infostealer malware is hijacking Claude sessions to drain usage: bleepingcomputer.com
  • Help Net Security — Anthropic locks out Claude users after infostealers hijack login sessions (31/08/2026): helpnetsecurity.com
  • Foto de capa: tela inicial do Claude (claude.ai), captura de tela — Anthropic PBC, domínio público, via Wikimedia Commons
  • Segunda imagem: logotipo da Anthropic — Anthropic, domínio público, via Wikimedia Commons
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