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Cibersegurança · ·4 min de leitura

176 falhas num celular Samsung: o que isso ensina sobre os aparelhos que acessam seus dados

Uma empresa achou 176 brechas nos apps de fábrica da Samsung — e a Samsung corrigiu todas. As três lições para quem tem equipe usando celular no trabalho.

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176 falhas num celular Samsung: o que isso ensina sobre os aparelhos que acessam seus dados

Cento e setenta e seis. Esse é o número de falhas de segurança que uma única empresa de pesquisa, a Oversecured, encontrou nos aplicativos que já vêm instalados de fábrica nos celulares Samsung — os apps nativos do sistema One UI. A descoberta, noticiada pela Oversecured, foi feita ao longo de três anos (2022 a 2025), rendeu à empresa uma recompensa de US$ 200 mil paga pela própria Samsung, e — a parte importante — todas as brechas já foram corrigidas.

À primeira vista, parece notícia ruim para a Samsung. É o contrário: é exatamente assim que a segurança deve funcionar. Mas o caso ensina três lições valiosas para qualquer empresa que tem funcionários usando celular para trabalhar — ou seja, todas.

Lição 1: até o gigante tem centenas de falhas. O que importa é corrigir.

Cento e setenta e seis brechas num produto da Samsung não significa que a Samsung faz software ruim. Significa que todo software tem falhas — quanto maior e mais complexo, mais falhas. A diferença entre uma empresa segura e uma insegura nunca foi “ter zero vulnerabilidade” (isso não existe); é ter um processo para encontrar e corrigir rápido.

A Samsung faz o certo: paga pesquisadores para caçarem falhas nos seus produtos (o chamado bug bounty, programa de recompensa), recebe os relatos de forma organizada e libera correção. É o oposto da empresa que esconde o problema, ou que nem sabe que ele existe. Quando você avaliar um fornecedor de tecnologia, essa é a pergunta madura: não “vocês já tiveram falha?”, mas “como vocês descobrem e corrigem as falhas?”.

176 falhas num celular Samsung: o que isso ensina sobre os aparelhos que acessam seus dados

Lição 2: o app que veio de fábrica é o mais perigoso quando falha

A Oversecured destacou algo técnico com consequência prática direta: as brechas estavam em apps nativos — aqueles que vêm instalados de fábrica e não podem ser desinstalados. Esses apps são especialmente delicados porque rodam com privilégios elevados e integração profunda com o sistema. Uma falha ali, segundo os pesquisadores, podia ser encadeada para obter controle da câmera, manipular o tráfego de internet do aparelho e roubar dados do usuário.

Traduzindo para o risco corporativo: o celular do seu funcionário — onde ele lê e-mail da empresa, acessa sistemas, guarda contatos de clientes — é um computador completo, com falhas como qualquer computador. E, diferentemente do PC da empresa, ele costuma estar fora do controle da TI. Isso tem nome: o dilema do BYOD (Bring Your Own Device, ou “traga seu próprio aparelho”).

Lição 3: a correção só protege quem atualiza

Aqui está a frase mais importante da matéria original, e ela se repete em quase tudo que publicamos: as 176 falhas já foram corrigidas, e “não é motivo de preocupação para quem mantém o celular com updates em dia”. A palavra-chave é quem atualiza.

A correção mais brilhante do mundo é inútil no aparelho que está três versões atrás porque o dono adia a atualização “para não gastar internet” ou “porque fica lento”. Cada uma daquelas 176 brechas continua aberta em todo celular que não recebeu o update. A defesa, de novo, não é sofisticada — é disciplinada.

O que fazer com os celulares que acessam dados da sua empresa

Você não precisa de uma política de segurança de multinacional. Precisa de bom senso organizado:

  • Exija atualização em dia como condição para o celular acessar e-mail e sistemas da empresa. É a proteção que cobre a maior parte do risco, de graça.
  • Verificação em duas etapas em todos os acessos corporativos pelo celular. Se o aparelho for comprometido, o segundo fator ainda protege as contas.
  • Separe o trabalho. Ferramentas gratuitas de “perfil de trabalho” (disponíveis no Android e no iPhone) isolam os apps e dados da empresa do resto do celular pessoal — bom para a segurança e para a privacidade do funcionário.
  • Tenha um plano para o aparelho perdido ou roubado. Quem consegue apagar remotamente o acesso corporativo de um celular extraviado? Se a resposta for “ninguém”, esse é o próximo item da lista.
  • Escolha fornecedores que atualizam. Na hora de comprar aparelhos ou software, o histórico de correções e o tempo de suporte valem mais que uma câmera melhor.

Segurança não é ausência de falha — é velocidade de correção. A Samsung tinha 176 buracos e continua sendo uma escolha segura, porque os encontra e os fecha. A pergunta que fica para a sua empresa é simples: e os aparelhos que acessam os seus dados, estão atualizados hoje?


Fontes

  • Oversecured — pesquisa de segurança em aplicativos da Samsung: oversecured.com
  • Relatório técnico da Oversecured: publicado no site da empresa e no GitHub (2025)
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